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    October 09

    Fausto

    FAUSTO

     

         Na Europa, houve uma época em que se acreditava que os demônios caminhavam pelo mundo. Pensava-se que, quando as pessoas atravessavam fases difíceis da vida, diabos surgiam oferecendo-lhes riquezas, saúde e felicidade em troca de apenas uma coisa: suas almas.

         A lenda de Fausto é a história de um homem que vendeu sua alma ao demônio. Ninguém sabe exatamente a data em que foi inventada ou quem foi a primeira pessoa a contá-la.

         Na Alemanha do século XVIII, a lenda narrada pelos contadores de história era mais ou menos assim:

         Em Wittenberg, na Alemanha, havia um antigo mosteiro. Para lá foi enviado um jovem chamado Fausto, cujo pais eram ricos e desejavam que ele se tornasse um religioso.

         No entanto Fausto não se interessava por livros sobre religião. À noite, escondido, estudava magia negra, pois, contrariando o desejo de sua família, não queria ser um padre, mas um homem poderoso. Desejava descobrir todos os segredos do universo para seu próprio benefício. Quando se tornou adulto, Fausto abandonou os estudos e iniciou uma vida de festas, conquistas amorosas, muita bebida e nenhum trabalho. Depois de alguns anos, suas mãos tremiam e ele parecia um velho doente. Foi então que decidiu usar seus conhecimentos de magia negra para recuperar a juventude. Resolveu pedir ajuda ao diabo.

         Certa noite, caminhou sozinho até uma clareira, desenhou um círculo mágico no chão para proteger-se das Forças do mal e, dizendo palavras secretas, invocou Mefistófeles, um poderoso servo do demônio.

         Fausto lhe disse que queria juventude, riqueza, poder e conhecimentos secretos. Mefistófeles afirmou que lhe satisfaria todos os desejos, contanto que Fausto lhe vendesse sua alma. Depois de certa hesitação, Fausto aceitou a proposta e assinou o contrato redigido com seu próprio sangue. Daria a alma em troca de mais vinte e quatro anos de vida.

         Assim,ele recuperou a juventude e ganhou poderes mágicos. Mas em vez de usar seus conhecimentos para ajudar as pessoas, preferiu domina-las. Se alguém o irritava, utilizava sua magia para vingar-se. Inventou poções secretas que transformavam pessoas em sapos e porcos, faziam crescer chifres de veado e rabo de asno em seus inimigos. Fausto se tornara um bruxo.

         Quando faltava apenas  um ano para o término do pacto, ele finalmente percebeu seus erros, passando a esforçar-se para fazer o bem. Mas era muito tarde.

         Em sua última noite de vida, os ventos sopraram na vila onde Fausto se encontrava e uma forte tempestade eclipsou a luz da lua. Ele correu até uma taberna em busca de refúgio. Trancou-se num quarto para esconder-se do demônio. Mas, quando a noite terminou, os freqüentadores da taberna descobriram que Fausto havia desaparecido. Deixara só uma carta na qual declarava: “Nada do que consegui foi por meus próprios méritos. Tive fama, juventude e fortuna, mas nunca a felicidade. Que a minha vida lhes sirva de lição.”

     

    FRIAS FILHO, Otavio. In: Vice-versa ao contrário. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000.